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Como a crise mundial de transporte marítimo afetará a indústria de embalagens nos próximos meses

O setor de transporte marítimo foi duramente atingido por uma interrupção no fornecimento global que afetará as compras de fim de ano para muitas pessoas. Com as taxas de envio disparando e os pacotes de Natal atrasados, é hora de começar a refletir sobre como os planos de dar presentes podem ser afetados. O que está acontecendo no setor de transporte marítimo? Como isso está afetando e afetará a indústria de embalagem plástica?

Questões não resolvidas, bem como o surgimento de novas dificuldades, como a variante Delta, provavelmente resultarão em custos mais altos e menos seleção nesta temporada de férias. A pressão sobre as cadeias de abastecimento globais não diminuiu e não parece que vai diminuir tão cedo.

O problema mais recente é na China, onde um terminal no porto de Ningbo-Zhoushan ao sul de Xangai foi fechado em 11 de agosto depois que um estivador testou positivo para Covid-19. Para evitar o porto, as principais companhias marítimas internacionais alteraram os itinerários e alertaram os clientes sobre os atrasos.

A consequência foi o atraso nas chamadas “janelas” de atracação dos navios e a omissão por vários deles do Porto de Ningbo, em virtude do congestionamento gerado. Isso acarretou a redução da oferta de espaço dos armadores em navios para a região e atrasos na devolução de contêineres vazios.

O fechamento do terceiro porto de contêineres mais movimentado do mundo está interrompendo outros portos na China, sobrecarregando as cadeias de abastecimento que já foram afetadas por problemas recentes, a contínua escassez de contêineres, o fechamento de fábricas relacionadas ao coronavírus no sudeste da Ásia e os efeitos persistentes do fechamento do Canal de Suez em Marchar.

As empresas de transporte de contêineres antecipam que a crise mundial continuará. Isso está aumentando o custo do transporte de carga e potencialmente exacerbando os aumentos de preços. A situação do mercado pode melhorar no início de 2022, mas isso não é garantido. Quando se trata da chegada de um navio de contêineres no prazo, há cerca de 40 por cento de chance de que ele chegue antes do previsto, em comparação com 80 por cento no ano passado.

De acordo com o Índice Mundial de Contêineres, transportar um contêiner de 40 pés em oito rotas principais Leste-Oeste todas as semanas de 19 a 26 de agosto, um aumento de 360% em relação ao ano passado.

O salto de preço mais substancial ocorreu ao longo da rota de Xangai a Rotterdam, na Holanda, com o custo de um contêiner subindo 659%. Os preços do transporte de contêineres nas rotas de leste a oeste e Nova York também aumentaram.

Isso, sem dúvida afeta também os insumos da indústria do plástico como resinas poliméricas, Dióxido de Titânio (pigmento branco) entre outros importantes elementos fundamentais. Tintas e adesivos não ficam de fora. Os principais fabricantes de mundiais como Flint Ink e SunChemical já soltaram notas oficiais explicando os aumentos.

A Flint justificou:

“O Flint Group Packaging Inks implementará uma sobretaxa de logística em consequência às prolongadas interrupções e ao aumento significativo dos custos nos variados tipos de transportes, além da interrupção geral da cadeia de suprimentos…dadas as circunstâncias,
não vemos outra forma senão adicionar uma sobretaxa de logística de R$ 0,13 / kg, efetivamente a partir de 01 de Novembro, 2021.”

A demanda por embalagens diversas incluindo e-commerce, aumentam vertiginosamente na Black Friday, Natal e ano novo.

“A escassez de containers aliada ao redirecionamento de navios para outras rotas mais lucrativas que a América do Sul, levou a um aumento nos preços dos importados, desde a matéria prima até o produto final”, explica Claus Malamud, mentor de mercados asiáticos na Link, escola de negócios da XP Investimentos, e sócio do Mr China Imports (www.mrchinaimports.com.br), empresa especializada em facilitar o acesso ao comércio exterior.

Savannah, na Geórgia, EUA sofre com ruptura na cadeia global de fornecimento e falta de contêineres e isso afeta o Brasil? Como assim?

Quase 80 mil contêineres de carga estão empilhados em várias configurações no porto de Savannah, na Geórgia (sudeste dos Estados Unidos). São 50% a mais que o número habitual.

Contêineres esperam por navios para levá-las até seus destinos finais ou caminhões para transportá-las até armazéns, os quais já estão abarrotados. Cerca de 700 contêineres foram deixados pelos donos no porto, às margens do Rio Savannah, há um mês ou mais.

“Eles não estão vindo retirar suas cargas”, queixou-se Griff Lynch, diretor-executivo da Autoridade dos Portos da Geórgia. “Nunca tivemos o pátio tão cheio assim.”

Os gargalos costumam causar mais gargalos. Tantas empresas encomendaram a mais e mais cedo, especialmente se preparando para a temporada de alto consumo no fim do ano, que os armazéns estão lotados. Por isso os contêineres se empilham no porto de Savannah.

O resultado de tudo isso:

  • Matéria prima fica escassa, porque não sai dos portos
  • Não embarcam, porque não tem contêineres
  • Não tem contêineres, porque os vazios estão presos em outros lugares do mundo
  • Resultado é aumento de preços e longos atrasos na chegada da matéria prima

Os especialistas acreditam que somente no segundo semestre de 2022 será regularizado. E o que fazer até lá? A resposta é um Planejamento Estratégico focando na previsibilidade de um mundo caótico, doente e carente de tudo.

Ah, sim e não podemos esquecer do feriado Chinês em Ano Novo Lunar, em 31 de janeiro de 2022, e dura até 6 de fevereiro de 2022.

Eudes

Especialista na Gestão Industrial e Liderança Produtiva no mercado de Embalagens flexíveis, Rótulos e Corrugados.

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