Dow anuncia novo aumento de US$ 220/t e reabre a crise das resinas no Brasil

Carta da Dow de US$ 220/t para a América Latina expõe onda global de reajustes que já dura cinco meses e reacende o alerta sobre custo e desabastecimento na embalagem flexível

Em carta datada de 24 de julho de 2026, a Dow Embalagens e Plásticos de Especialidade comunicou a seus clientes na América Latina um novo aumento de US$ 220 por tonelada métrica para as resinas de Polietileno de Alta Densidade (PEAD), Polietileno de Baixa Densidade Linear (PEBDL) e Polietileno de Baixa Densidade (PEBD), com vigência a partir de 1º de agosto de 2026. A carta, assinada por Letícia Jensen, Vice-Presidente Comercial para a América Latina, é enxuta e direta: cita apenas “a contínua volatilidade das condições globais de oferta e demanda” como justificativa e avisa que “comunicações adicionais” podem vir no futuro.
O aviso não é um episódio isolado. Ele chega no mesmo dia em que a própria Dow, na teleconferência de resultados do segundo trimestre, nominou um aumento de 5 centavos de dólar por libra para os volumes de agosto na América do Norte, atribuindo o movimento explicitamente a “uma recente alta nos preços do petróleo e restrições logísticas persistentes no Estreito de Ormuz e nas rotas do Mar Vermelho”. E chega depois de um primeiro semestre em que praticamente todos os grandes petroquímicos do planeta anunciaram, revisaram e depois recuaram aumentos de preço de resina em função direta do conflito militar entre Irã, Israel e Estados Unidos. Para quem converte resina em filme, laminado ou saco (o coração da indústria de embalagem flexível), 2026 já está sendo lembrado como o terceiro grande choque de custo da década, atrás apenas da pandemia de covid-19 e da invasão da Ucrânia.
Uma cronologia que muda a leitura do problema
É importante situar corretamente a linha do tempo, porque ela explica por que a carta da Dow chega justamente agora. O conflito não começou em junho, como seria a leitura mais superficial de manchetes recentes: ele começou no fim de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã. A partir daí, o tráfego pelo Estreito de Ormuz, corredor por onde passam entre 20 e 25 bilhões de dólares em petroquímicos por ano, ficou essencialmente paralisado.

Antes da guerra, cerca de 130 navios cruzavam o Estreito de Ormuz por dia; numa das piores janelas de julho, apenas seis foram rastreados em 24 horas. O Goldman Sachs estimou, em nota de 20 de julho, que a escalada recente reduziu os fluxos do Golfo Pérsico a menos de 45% dos níveis pré-guerra, e projetou Brent acima de US$ 120/bbl como cenário possível para o quarto trimestre se as disrupções persistirem.
O petróleo, a nafta e o eteno: da calmaria pré-guerra ao novo choque
Em 27 de fevereiro de 2026, um dia antes dos ataques, o Brent operava perto de US$ 72/bbl. Em março, ele teve sua maior alta mensal já registrada, com avanço de +51% e picos de US$ 120/bbl (+55%), e o Dated Brent da Platts chegou a superar US$ 144/bbl no início de abril. A partir de maio a tendência inverteu: o Brent recuou US$ 56 entre maio e junho e o WTI chegou a US$ 68,58/bbl em 1º de julho, “próximo dos níveis pré-conflito”.
A reescalada de julho reverteu essa trégua rapidamente: Brent subiu de US$ 78,82/bbl em 13/07 para US$ 95,42/bbl em 22/07 (+4,8% no dia) e o WTI fechou em US$ 92,20/bbl em 23/07, máxima de dois meses (+34,4%). No próprio dia da carta da Dow, cargas físicas de petróleo do Oriente Médio, Europa e África beiravam US$ 110/bbl, com o Dated Brent em US$ 105,70/bbl, máxima desde o fim de maio, e os prêmios spot do petróleo de Dubai dobrando para US$ 12,74/bbl.
O choque se propagou com força ainda maior nas matérias-primas petroquímicas. Na Ásia, o crack da nafta bateu recorde de acima de US$ 400/t em 20 de março, contra cerca de US$ 108/t antes da guerra. A LyondellBasell relatou que a nafta asiática saltou “de cerca de US$ 600/t para US$ 1.100/t”, enquanto na América Latina os custos de nafta “praticamente dobraram” desde o início do conflito. Na Europa, o contrato de eteno de abril fechou com aumento recorde absoluto de +€450/t, a €1.595/t, e o propeno terminou o mês com prêmio recorde de €465/t. Em Taiwan, o contrato de eteno da CPC “saltou 46% em março, de US$ 792 para US$ 1.155 por tonelada métrica”. A LyondellBasell chegou a quantificar o tamanho do choque de oferta: “mais de 20% da capacidade global de eteno, polietileno e polipropileno está atualmente impactada pelo conflito em curso”.
Não é só a Dow: a onda global de anúncios de 2026
O aviso da Dow para a América Latina se soma a uma lista extensa de reajustes anunciados por praticamente todos os grandes produtores de poliolefinas do mundo desde o início do conflito. A tabela abaixo consolida os principais anúncios confirmados por fontes públicas.
| Produtor | Região | Produto | Aumento anunciado | Vigência | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|
| Dow | América Latina | PEAD/PEBDL/PEBD | US$ 220/t | 1º/08/2026 | Carta primária (imprensa: n.a.) |
| Dow | América do Norte | PE | +5 ¢/lb (nominação) | agosto/2026 | Resource Recycling |
| Dow | América Latina | PE | US$ 340/t (acumulado ~US$ 1.000/t em 2 semanas) | março/2026 | ICIS |
| Dow / Equistar (LyondellBasell) / ExxonMobil / NOVA / Westlake | EUA e Canadá | PEAD/PEBDL/PEBD | US$ 0,15/lb → US$ 0,30/lb (revisão coletiva) | 1º/04/2026 | Carta reproduzida por Fulton Distributing |
| LyondellBasell / Equistar | EUA | PE | 35 ¢/lb no total (mar+abr+mai) | mar–mai/2026 | Argus Media |
| LyondellBasell | global/América do Norte | PE | US$ 0,50/lb cumulativos (abr+mai) | abr–mai/2026 | Transcrição LYB Q1 2026 |
| Chevron Phillips (CPChem) | EUA | PE | US$ 0,08/lb → US$ 0,10/lb | março/2026 | Star Plastics |
| Shell | EUA | PEAD/PEBDL | US$ 0,05/lb → US$ 0,10/lb | março/2026 | Star Plastics |
| SABIC | Oriente Médio/global | HDPE 5010, VETEX-E300 | +12% | 1º/07/2026 | Nextradebase |
| INEOS, LyondellBasell, Borealis | Europa | PE/PP | força maior + sobretaxas de energia | 12–18/03/2026 | Plastinfo |
| Borealis | Europa | PE / PP | +€70/t / +€50/t | 1º/04/2026 | Plastinfo |
| Formosa Plastics | Taiwan | poliolefinas | NT$ 10,5/kg (~US$ 0,33/kg) + corte de fornecimento a 25% do contratado | a partir de 10/03/2026 | Focus Taiwan |
| Reliance Industries / Indian Oil | Índia | PP / PE | INR 1.000–3.500/t (retomada pós-corte) | 23/07/2026 | Plastemart |
| Braskem | Brasil | PE / PP | +R$ 500/t / +R$ 250/t | 2/03/2026 | S&P Global |
| Braskem | Brasil | PEBDL/PEAD/PEBD/metalocenos | Fase 1: +R$ 6.500/t; Fase 2: +R$ 1.500/t (total R$ 8.000/t) | abril/2026 | SIMPEP |
O padrão de março a abril foi de revisões em cascata quase diárias. Um fornecedor americano descreveu o cenário assim: “nas últimas semanas, virtualmente todos os grandes produtores de polietileno anunciaram aumentos de US$ 0,10 por libra com vigência em 1º de março de 2026, com aumentos adicionais anunciados para abril”. Na semana de 13 de março, a ICIS contabilizou 31 anúncios de força maior ou alocação na Ásia e Oriente Médio, mais 2 na Europa e 1 nas Américas.
Os produtores foram explícitos na justificativa. A SABIC atribuiu seu aumento de julho a “forte alta nos custos de seguro de navegação no Mar Vermelho e alta nos preços locais de energia”; a Formosa citou “custos upstream em disparada em meio a disrupções no Oriente Médio”; e a Reuters resumiu o racional da própria Dow: “as tensões em torno do Estreito de Ormuz após a escalada do conflito EUA–Irã levaram a disrupções nos fluxos de petróleo e petroquímicos, resultando em aperto da oferta global de químicos e subsequente aumento dos preços de plásticos e polímeros”.
Os custos logísticos também dispararam: prêmios de seguro de guerra foram multiplicados por cinco a oito vezes, fretes spot entre China e Emirados subiram 25% desde meados de fevereiro, e mais de 140 porta-contêineres com mais de 470 mil TEU chegaram a ficar parados ou atrasados no Golfo Árabe. Desviar pelo Cabo da Boa Esperança passou a acrescentar de 12 a 16 dias e US$ 8.000–12.000 por contêiner.
Os resultados da Dow confirmam o tamanho do repasse

Os números do próprio balanço da Dow, divulgado em 23 de julho, deixam claro o quanto do aumento já foi absorvido pelo mercado. A companhia registrou vendas líquidas de US$ 12,1 bilhões, alta de 20% ano a ano, com o segmento Packaging & Specialty Plastics crescendo 27%, para US$ 6,4 bilhões, impulsionado por um preço local 30% mais alto, puxado pelos preços globais de PE. Na teleconferência, o CFO Jeff Tate (na foto) afirmou que os preços de polietileno subiram mais de 40% ano a ano em todas as regiões.
O movimento não é inédito para a companhia: em julho de 2018, a Dow já havia enviado carta datada de 24 de julho anunciando aumento de R$ 500/t no PE brasileiro, também com vigência em 1º de agosto, o que sugere que o calendário “carta no fim de julho, vigência em 1º de agosto” é, em parte, rotina comercial da companhia, mesmo quando amplificada por um choque geopolítico real.
Brasil: Braskem, racionamento e a reação das entidades
No mercado brasileiro, a Braskem começou a reajustar preços já em 2 de março, com +R$ 500/t em PE e +R$ 250/t em PP, seguido por novos aumentos de US$ 50/t (2/03) e US$ 318/t (5/03) em dólares. Em abril, a companhia foi além do preço e passou a racionar volume: a Fase 1 (1º–7/04) trouxe +R$ 6.500/t com fornecimento limitado a 35% da intenção mensal de compra do cliente; a Fase 2 (8–16/04) somou +R$ 1.500/t adicionais (total de R$ 8.000/t), mantendo o limite de 35%; e a Fase 3 (17–27/04) reduziu o limite a 30%, com preço a definir. Um veículo especializado resumiu o problema real do período: “o elemento mais crítico desta política não é o preço, é a quantidade (…) o mercado opera com menos de 70% da demanda potencial atendida pela produtora. O produto mais caro é aquele que não chega” (mesma fonte).
A situação foi agravada por uma disputa comercial paralela: em 26 de março, o governo fixou direitos antidumping definitivos por cinco anos de US$ 199,04/t para PE americano e US$ 238,49/t para o canadense, bem abaixo do nível de US$ 734/t que a Braskem defendia junto à Camex. O governo optou por manter a taxação mais baixa sob pressão das indústrias consumidoras de resina, “frustrando a Braskem”, com Gecex e MDIC justificando a decisão “no interesse público, citando preocupações com a pressão sobre as indústrias a jusante em meio ao mercado apertado”. No pano de fundo financeiro, a Braskem fechou em 25 de junho a reestruturação de US$ 3,7 bilhões em dívida, com um plano que aposta em recuperação dos preços de polímeros na próxima década.

As entidades setoriais brasileiras reagiram de formas distintas. A ABIPLAST classificou o movimento de abril, com PP acumulando alta de até 70% e PE de até 80% desde o fim de fevereiro, como “sem paralelo, mesmo se comparado ao período da pandemia” (PlásticoNews / ABIPLAST), estimando alta de 60% na matéria-prima em um contexto em que a embalagem representa de 15% a 25% do custo do produto final e 70% dos itens de supermercado são embalados em plástico (O Tempo, 07/04/2026). Já a ABIQUIM minimizou o risco de desabastecimento, lembrando que apenas 6% das resinas consumidas no Brasil são importadas, mas alertou que um Brent US$ 20 mais alto pode comprimir o spread petroquímico entre 10% e 25% (ABIQUIM; CNN Brasil).
A voz mais direta veio da ABIEF. Segundo a entidade, citada pela ICIS, “o aumento dos preços de PE era uma tendência profundamente preocupante, dado o papel central do PE em toda a cadeia de valor da embalagem, de alimentos a farmacêuticos” (ICIS, 30/03/2026). O presidente Eduardo Berkovitz detalhou a transmissão de custos ao longo da cadeia: “o aumento do cru afeta diretamente o preço da nafta e do gás natural, as principais matérias-primas petroquímicas, o que por sua vez eleva os custos de produção de eteno e propeno, insumos básicos de resinas termoplásticas como PE e PP” (Mundo do Plástico / ABIEF). No primeiro trimestre de 2026, a produção brasileira de embalagens flexíveis ficou praticamente estável em 575 mil toneladas, mas as importações cresceram 14,5% em relação ao quarto trimestre de 2025 e 16,9% ano a ano, agravando o saldo comercial (Plástico Virtual, 15/06/2026).
A imprensa especializada registrou o choque com números concretos: o PEBD teria subido cerca de 100% em pouco mais de 30 dias, de aproximadamente R$ 9,80/kg para R$ 23/kg em distribuidoras, com “ajustes informais a cada dez dias impostos aos clientes” e transformadores relatando fornecedores dobrando preços “de um dia para o outro”. Um levantamento da Baird, via Investing.com, apontou o PE médio em março a US$ 0,67/lb, alta de US$ 0,15/lb no acumulado do ano (29%), e o PP a US$ 0,62/lb (+34% no ano), destacando que o conflito “efetivamente removeu o Oriente Médio como exportador de PE”. Um convertedor brasileiro resumiu o primeiro semestre: “polipropileno (PP), polietileno (PE) e PVC chegaram a acumular altas de até 80% a partir do fim de fevereiro, com pico em abril de 2026”, com a referência internacional de PP recuando de forma relevante apenas no último mês antes da nova carta da Dow.
A retomada e a virada de julho
Depois do pico de março-abril e da correção de maio-junho, os dados de julho mostram claramente uma nova inflexão. Nos Estados Unidos, os contratos de PE caíram cumulativamente 30 centavos de dólar por libra desde abril até junho, mas o mercado voltou a ficar tenso com a reescalada: a Dow já nominou +5 ¢/lb para agosto. Na China, segundo avaliações da ChemAnalyst, o PEAD para filme (FOB Dalian) fez piso em US$ 1.248/t em 26 de junho e, em 10 de julho, já estava em US$ 1.260/t, alta de 37,9% sobre o nível pré-crise de fevereiro (US$ 914/t); o PP para injeção fez fundo em US$ 1.225/t em 3 de julho. A ICIS confirmou o giro para a Ásia em 22 de julho: “diversos produtos petroquímicos, incluindo estireno monômero, metanol, benzeno, butadieno, polietileno e polipropileno, registraram aumentos de preço em julho”, com preocupações sobre embarques atrasados de PE do Oriente Médio sustentando o sentimento comprador na China.
Ou seja: no exato momento em que a Dow enviou a carta à América Latina, o polietileno já estava operando cerca de 40% acima dos níveis do ano anterior e 37% a 41% acima dos níveis pré-crise na China, um patamar que a nova rodada de aumentos pretende consolidar, não apenas repor.
O impacto real sobre a cadeia de embalagem flexível
Para o convertedor de filme e laminado, o número mais revelador de todo esse ciclo talvez não seja o preço da resina isoladamente, mas o comportamento do spread: a diferença entre o preço do produto convertido e sua matéria-prima, que mede a margem de conversão. Segundo a ChemAnalyst, o spread do BOPP (filme de polipropileno biorientado, um dos principais substratos de embalagem flexível) sobre o PP caiu de +US$ 89/t em fevereiro para +US$ 54/t em 3 de julho e virou negativo, em -US$ 15/t, em 10 de julho (ChemAnalyst). Como a resina responde por 55% a 70% do custo manufaturado em conversão de filmes (Rospex Consulting), um spread negativo significa, na prática, produzir com margem operacional negativa.
O índice trimestral de matérias-primas da Flexible Packaging Europe (FPE) dá a medida mais direta do choque para quem compra insumos de embalagem flexível: no segundo trimestre de 2026, em relação ao trimestre anterior, o BOPP de 20 µm subiu +97%, o filme de PET de 12 µm cerca de +40%, o BOPA de 15 µm +21%, o PEAD +~38% e o PEBD +~31%; mesmo a folha de alumínio de 7 µm avançou +~12% (+€0,62/kg) (Eco Plastics in Packaging, 08/07/2026).
Relatos de convertedores reais no exterior ilustram a magnitude fora do padrão desse ciclo: a Emerald Packaging elevou preços em 8% (seu maior ajuste mensal já registrado), e a Silgan estimou impacto de US$ 50 milhões em custos e US$ 10 milhões em EBITDA, e a Amcor cortou o guidance de fluxo de caixa livre do ano fiscal de US$ 1,8–1,9 bilhão para US$ 1,5–1,6 bilhão (Packaging Dive, 14/05/2026; ChemAnalyst). Na Alemanha, 99% dos processadores de plástico relatavam aumentos de fornecedores; na Coreia, 92% (ChemAnalyst).
O relatório de polímeros do K-Online resume o dilema estrutural do convertedor com precisão: “este aumento massivo de custos gera problemas sérios para os transformadores, pois eles só conseguem repassar os aumentos com atraso, e frequentemente só parcialmente, se conseguirem”; e “os processadores foram forçados a repassar esses custos diretamente aos clientes, o que estrangulou o aumento da demanda quase imediatamente” (K-online). A mesma fonte nota uma mudança estrutural relevante nos contratos: “contratos trimestrais estão sendo cada vez mais rescindidos e substituídos por negociações mensais de preço”, o que é um sinal de que a volatilidade deste ciclo pode alterar permanentemente a forma como resina é comprada pela cadeia de embalagem. Ainda assim, embalagens de alimentos e farmacêuticas mantiveram volumes relativamente estáveis, reforçando o caráter essencial (e menos elástico à alta de preço) desse segmento (mesma fonte).
No Brasil, o problema se soma à política de racionamento da Braskem: “quem não garantiu posição na Fase 01 [de abril] está comprando mais caro e ainda competindo por menos resina” (SIMPEP), e a resina de origem americana, mesmo taxada, segue como uma das poucas alternativas viáveis para completar o suprimento (Argus Media). Um convertedor nacional resumiu o efeito no fluxo de caixa das pequenas e médias empresas do setor, que respondem pela maioria dos 3.888 transformadores cadastrados pela ABIEF: “quando o insumo oscila 30%, 50%, 80%, a conta chega no custo da bobina, do laminado, do saco (…). Para quem trabalha com café, molhos, snacks, biscoitos, leite em pó ou farináceos, muitas vezes com margem apertada e contrato de preço com o varejo, um susto de resina pode comer o resultado do trimestre inteiro” (Centpak, 13/07/2026; Mundo do Plástico / ABIEF).
O que observar a partir de agosto
Três frentes vão determinar se este novo aumento se consolida ou se repete o padrão de subida-e-correção visto entre março e junho:
- A trajetória do conflito. O colapso do acordo preliminar em 23-24 de julho e os novos ataques a navios no Mar Vermelho sugerem que a trégua de junho foi temporária. Se o tráfego por Ormuz continuar restrito a um décimo do fluxo normal, a pressão de custo sobre nafta, eteno e propeno deve se manter alta pelo menos até o quarto trimestre: o próprio Goldman Sachs já trabalha com cenário de Brent acima de US$ 120/bbl (S&P Global).
- A capacidade de repasse dos convertedores. Com spreads de conversão já negativos em alguns produtos (caso do BOPP) e concorrência crescente de importações mais baratas em determinados mercados, a pressão deve continuar migrando de preço de resina para volume, com contratos anuais cedendo espaço a negociações mensais, como já ocorre na Europa (K-online).
- A política comercial brasileira. Com a Braskem reestruturada financeiramente e apostando em recuperação de preços na próxima década, e com o governo mantendo o antidumping abaixo do nível pleiteado pela produtora nacional, o mercado brasileiro deve continuar dependente de importações, sujeitas tanto à tarifa quanto à volatilidade internacional de frete e seguro, para cobrir o hiato entre demanda da indústria de transformação e oferta doméstica (Argus Media; ICIS).
Para a indústria de embalagem flexível, que já atravessou pandemia e guerra na Ucrânia como choques comparáveis nos últimos anos, a lição prática que já circula entre fornecedores é manter de três a quatro meses de estoque de resina como colchão contra novos sustos, mesmo que isso pressione capital de giro: “custa um pouco mais e afeta o capital de giro, mas é melhor do que ficar sem material e perder negócios para o concorrente melhor preparado” (Now Plastics).
Fontes primárias e de mercado consultadas: Dow (comunicado ao cliente, 24/07/2026), Reuters, ICIS, Argus Media, S&P Global Platts, Resource Recycling, C&EN, Plastics Technology, ChemAnalyst, K-online, Flexible Packaging Europe, Banco Mundial, ABIPLAST, ABIQUIM, ABIEF, SIMPEP, além de veículos brasileiros como PlásticoNews, Plástico Virtual, Plástico Industrial (Aranda), Centpak e Investing.com Brasil.